OLAVO BRÁS MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC
Nasceu no rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865, filho do Dr. Brás Martins dos Guimarães Bilac e D.Delfina Belmira dos Guimarães Bilac.
Cursou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mas desistiu no quarto ano. Logo em seguida tentou o curso de Direito em São Paulo, mas não passou no primeiro ano e voltou ao Rio de Janeiro onde dedicou-se ao jornalismo e à literatura. Em 1900 foi para a Europa como correspondente da publicação Cidade do Rio.
Fundou vários jornais que tiveram vida curta, como A Cigarra, A Rua, O Meio. Subistituiu Machado de Assis na Gazeta de notícias, onde trabalhou vários anos na seção "Semana".
Exerceu vários cargos públicos no estado do Rio de Janeiro e na cidade Guanabara.
Foi inspetor escolar, Secretário do Congresso Panamericano e fundador da Liga de Defesa Nacional, onde foi secretário geral e lutou pelo serviço militar obrigatório.
Foi também um dos mais ardorosos propagandistas da abolição, tendo estreita ligação com José do Patrocínio.
Escreveu Crônicas e Novelas (1894); Poesias (1888);Crítica e Fantasia (1904)Contos Pátrios; Teatro infantil; Livro de Leitura; Tratado de Versificação (este teve a colaboração de Guimarães Passos).
Autor da letra do Hino à Bandeira.
Entre suas obras primas podemos destacar o Soneto "Ultima Flor do Lácio" que se refere à língua portuguesa.
Foi um dos mais notáveis poetas brasileiros, prosador exímio e orador primoroso.
Participou ativamente da fundação da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.
Morreu no Rio de Janeiro em 28 de desembro de 1918.
POEMAS
ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO
Última flor do lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura;
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
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Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
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Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, o rude e doloroso idioma,
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Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
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UM BEIJO
Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior... Glória e termento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
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Morreste e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enche-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
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Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
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Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante
na perpétua saudade de um minuto...
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DELÍRIO
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprima.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
-Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
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Na inconsciência Bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos modia.
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
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Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase sem grito:
-Mais abaixo, meu bem! - num frenesi.
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No seu ventre pousei a minha boca,
-Mais abaixo, meu bem! disse ela, louca.
Moralistas, perdoai! Obedeci...
.
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DORMES
Dormes... Mas que sussuro a umedecida
Terra desperta? Que rumor enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, à túnica estendida?
.
São meus versos! Palpita a minha vida
Neles, falenas que a saudade eleva
De meu seio, e que vão, rompendo a treva,
Encher teus sonhos, pomba adormecida!
.
Dormes com os seios nus, no travesseiro
Solto o cabelo negro... e ei-los, correndo,
Doudejantes, sutis, teu corpo inteiro
.
Beijam-te a boca tépida e macia,
Sobem, descem, teu hálito sorvendo
Por que surge tão cedo a luz do dia?!
.
. O RIO
"A cada passo que dava
o nobre rio, feliz
mais uma árvore criava,
danda vida a uma raiz.
.
Quantas dádivas e quantas
esmolas pelos caminhos!
matava a sede das plantas
e a sede dos passarinhos...
.
Fonte de força e fartura,
foi Bem, foi saúde e Pão:
dava às cidades frescura,
fecundidade ao sertão...
.
E um nobre exemplo sadio
nas suas águas se encerra;
devemos ser como o rio,
que é a providência da terra:
.
Bendito aquele que é forte,
e desconhece o rancor,
e, em vez de servir a morte,
ama a vida, e serve o Amor!"




Pâmella
Qui 18 Set 2008 17:45