OLAVO BILAC -  escrito em sábado 23 agosto 2008 13:59

OLAVO BRÁS MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC

Nasceu no rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865, filho do Dr. Brás Martins dos Guimarães Bilac e D.Delfina Belmira dos Guimarães Bilac.

Cursou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mas desistiu no quarto ano. Logo em seguida tentou o curso de Direito em São Paulo, mas não passou no primeiro ano e voltou ao Rio de Janeiro onde dedicou-se ao jornalismo e à literatura.  Em 1900 foi para a Europa como correspondente da publicação Cidade do Rio.

Fundou vários jornais que tiveram vida curta, como A Cigarra, A Rua, O Meio. Subistituiu Machado de Assis na Gazeta de notícias, onde trabalhou vários anos na seção "Semana".

Exerceu vários cargos públicos no estado do Rio de Janeiro e na cidade Guanabara.

Foi inspetor escolar, Secretário do Congresso Panamericano e fundador da Liga de Defesa Nacional, onde foi secretário geral e lutou pelo serviço militar obrigatório.

Foi também um dos mais ardorosos propagandistas da abolição, tendo estreita ligação com José do Patrocínio.

Escreveu Crônicas e Novelas (1894); Poesias (1888);Crítica e Fantasia (1904)Contos Pátrios; Teatro infantil; Livro de Leitura; Tratado de Versificação (este teve a colaboração de Guimarães Passos).

Autor da letra do Hino à Bandeira.

Entre suas obras primas podemos destacar o Soneto "Ultima Flor do Lácio" que se refere à língua portuguesa.

Foi um dos mais notáveis poetas brasileiros, prosador exímio e orador primoroso.

Participou ativamente da fundação da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.

Morreu no Rio de Janeiro em 28 de desembro de 1918.

POEMAS

                                 ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO

Última flor do lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura;

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela...

.

Amote assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela

E o arrolo da saudade e da ternura!

.

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, o rude e doloroso idioma,

.

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"

E em que Camões, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

.

.

.

                                    UM BEIJO

Foste o beijo melhor da minha vida,

ou talvez o pior... Glória e termento,

contigo à luz subi do firmamento,

contigo fui pela infernal descida!

.

Morreste e o meu desejo não te olvida:

queimas-me o sangue, enche-me o pensamento,

e do teu gosto amargo me alimento,

e rolo-te na boca malferida.

.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,

batismo e extrema-unção, naquele instante

por que, feliz, eu não morri contigo?

.

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,

beijo divino! e anseio delirante

na perpétua saudade de um minuto...

.

.

.

                                      DELÍRIO

Nua, mas para o amor não cabe o pejo

Na minha a sua boca eu comprima.

E, em frêmitos carnais, ela dizia:

-Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

.

Na inconsciência Bruta do meu desejo

Fremente, a minha boca obedecia,

E os seus seios, tão rígidos modia.

Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

.

Em suspiros de gozos infinitos

Disse-me ela, ainda quase sem grito:

-Mais abaixo, meu bem! - num frenesi.

.

No seu ventre pousei a minha boca,

-Mais abaixo, meu bem! disse ela, louca.

Moralistas, perdoai! Obedeci...

.

.

                                    DORMES

Dormes... Mas que sussuro a umedecida

Terra desperta? Que rumor enleva

As estrelas, que no alto a Noite leva

Presas, luzindo, à túnica estendida? 

.

São meus versos! Palpita a minha vida

Neles, falenas que a saudade eleva

De meu seio, e que vão, rompendo a treva,

Encher teus sonhos, pomba adormecida!

.

Dormes com os seios nus, no travesseiro

Solto o cabelo negro... e ei-los, correndo,

Doudejantes, sutis, teu corpo inteiro

.

Beijam-te a boca tépida e macia,

Sobem, descem, teu hálito sorvendo

Por que surge tão cedo a luz do dia?!

.

.                                O RIO

"A cada passo que dava

o nobre rio, feliz

mais uma árvore criava,

danda vida a uma raiz.

.

Quantas dádivas e quantas

esmolas pelos caminhos!

matava a sede das plantas

e a sede dos passarinhos...

.

Fonte de força e fartura,

foi Bem, foi saúde e Pão:

dava às cidades frescura,

fecundidade ao sertão...

.

E um nobre exemplo sadio

nas suas águas se encerra;

devemos ser como o rio,

que é a providência da terra:

.

Bendito aquele que é forte,

e desconhece o rancor,

e, em vez de servir a morte,

ama a vida, e serve o Amor!"

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Todos os comentários desse artigo:
OLAVO BILAC -

  • Pâmella

    Qui 18 Set 2008 17:45

    Eu amo as poesias do OLAVO BILAC , são todas muito lindaaaassssss
    Boa Tarde
    Tchau !

  • ANNA KARENINA mailto

    Sáb 23 Ago 2008 14:03

    maravilha amigo
    precisamos de poesia e muita