Antonio Gonçalves Dias, nasceu no sítio Boa Vista nos arredores de Caxias no Maranhão, em 10 de agosato de 1823. Filho de uma união não oficializada entre um comerciante portugues e uma mestiça cafuza. Tinha grande orgulho por ter sangue das três raças formadoras do povo brasileiro: branca, negra e indígena.
Em 1830 foi matriculado na escola de primeiras letras do Prof. José Joaquim de Abre .
Em 1833 começa a trabalhar na loja do pai como caixeiro e encarregado da escrita.
Em 1835 deixca o ptrabalho com o pai e vai estudar latin, frances e filosofia com o Prof.Ricardo Leão Sabino.
Após a morte do pai foi enviado pela madrasta para estudar Direito em Coimbra em 1838, onde terminou os estudos secundários e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1840, formando-se em 1844.
Durante os estudos escreve os primeiros versos e participa do grupo de poetas medievistas que se reunia em torno do "O Trovador" e "Gazeta Literária". Na ocasião compartilha idéias românticas com Alexandre Herculano, Almeida Garrett e Antonio Feliciano de Castilho. É nesta ocasião que, sentindo saudade da terra natal, escreve a famosa "Canção do Exílio" e também parte dos poemas de "Primeiros cantos" e "Segundos cantos" ; o drama Patkull; e "Beatriz de Cenci". Este último foi regeitado pelo Conservatório Dramático do Brasil, por ser considerado imoral. Foi nesta época que escreveu fragmentos do romance biográfico "Memórias de Agapito Goiaba", que ele mesmo destruiu por conter alusões a pessoas ainda vivas.
Em 1845 rotorna ao Maranhão, conhece Ana Amélia, ainda quase menina, ficou fascinado pela beleza e graça juvenil daquela que viria a ser o grande amor de sua vida. Para ela escreveu as poesias "Seus olhos" e "Leviana" e mais tarde o poema "Ainda uma vez- adeus".Vindo em seguida para o Rio de Janeiro, parecia que a havia esquecido, mas em 1851, voltanto para São Luiz encontrou-a mais bela ainda e mulher já feita. O encantamento de outrora transformou-se em paixão e a pede em casamento para satisfação da família de Dn'Ana -como era chamada a mãe da moça- que timha grande estima e admiração pelo poeta. Entretanto, existia um impedimento que era o preconceito racial, razão pela qual a família o recusou.
Ainda em 1846 muda-se para o Rio de Janeiro, onde se dedica ao magistério e em 1849 passa a dar aulas de Latin e História do Brasil no Colégio Pedro II. Trabalha também como redator da revista Guanabara e na elaboração de sua obra poética, teatral e etnográfica e historiográfica.
A moça, cujo sentimento de amor e paixão era como o seu, queria abandonar a família para segui-lo, mas ele, por questão de honradez, decidiu ir embora para Portugal. Lá recebeu uma dura carta da amada que amargamente o acusava de não ter tido a corragem de superar e passar por cima dos preconceitos para assumí-la, mesmo rompendo a amizade com todos.
Em portugal, mais tarde, recebe a notícia de que Don'Ana, por capricho da vida, casara-se com um comerciante de cor. também lá teve o encontro com sua amada num jardim público. Ambos estavam sofrendo e abatidos pela dor e pela desilusão de suas vidas. O poeta sentia-se cruelmente arrependido por ter renunciado aquela que com uma única palavra o acompanharia para onde fosse. Este encontro abriu-lhe as feridas impelindo-o a compor várias estrofes de "Ainda uma vez-- adeus--". Segundo conta-se, a jovem, ao tomar conhecimento do poema feito por sua inspiração, copiou-o com o seu próprio sangue.
Em 1847 aperecem os "Primeiros Contos", trazendo no frontispício a data de 1846 e em 1848 os "Segundoso Contos" e "Sextilhas de Frei Antão"
Em 1841 publica os "Últimos Contos" e em 1852 é nomeado oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros, partindo para a Europa em 1854. Em 1856 viaja para a Alemanha e é nomeado chefe da seção de Etnografia da Comissão Cintífica de Exploração.
Em 1857 são editados os primeiros quatro contos do poema "Os Timbiras" e o "Dicionário da Língua Tupi" pelo livreiro-editor Brockhaus, de Dresda.
De 1959 a 1861 executa trabalhos para a Comissão no interior do Ceará, Paraiba, Rio Grande do Norte, Pará e Amazonas, indo até a cidade de Mariná, no Peru.
Em 22 de agosto de 1862 desliga-se da Comissão Científica de Exploração e em 1863 vai para a estação de cura em Vicky e em Bruxelas sofre a operação de amputação da campainha. Em 25 de outubro de 1863, em Bordéus, embarca para Lisboa, onde termina a tradução de "Messina", de Schiller.
Em fins de abril de 1864 volta a Paris onde vai para estações de cura em Aix-is-Bains, Allevard e Ems, onde fica até julho.
Em 10 de setembro de 1864 embarca no navio Ville de Boulogne, piora na viagem e já próximo do Maranhão a 3 de novembro é vitimado pelo naufrágio, vindo a falecer.
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AINDA UMA VEZ - ADEUS
Em fim te vejo! enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!
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Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!
.
Louco, aflito, a saciar-me
D'agravar minha ferida,
Tomou-me o tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esp'rança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!
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Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.
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Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pode o desgosto
Transformar o rosto meu?
Sei a aflição quando pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura...
Olha-me bem, que sou eu!
.
Nenhuma voz me diriges!...
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias - bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!
.
Oh! se lutei!...mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo a populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?
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Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t'esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T'esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!
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Que me enganei, ora vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro;
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!
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Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
"Ela é feliz (me dizia)
"Seu descanso é obra minha."
Negou-me a sorte mesquinha...
Perdoa, que me enganei!
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Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!
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Enganei-me! ... - Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu'era...
E um louco fui, nada mais!
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Louco, julguei adornar-me
Com palmas d'alta virtude!
Que tinha eu bronco rude
Co que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.
.
Pensar que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera...
E eu! eu fui que a não quis!
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És doutro agora, e pr'a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te em mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!
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Dói-te de mim, que t'imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!... de não ter ousado
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!
.
Adeus qu'eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar em breve Adeus!
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Lerás porém algum dia
Meus versos d'alma arrancados,
D'amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; - e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiede
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, - de compaixão,
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Pesquisa e postagem de Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico
http://www.artmajeur.com/niceasromeozanchett
http://www.pintoresdorio.com